domingo, 3 de outubro de 2010

A primeira semana de Araguaia

Não é “Pantanal”, mas lembra. “Araguaia”, de Walther Negrão, estreia da semana passada na Globo, começou enchendo os olhos com paisagens maravilhosas e uma cultura mais conhecida dos ribeirinhos e fazendeiros da região que das massas. Talvez pela forte impressão que aquelas lindas sequências eram capazes de causar, ao som de hits infalíveis para entrar no clima — como “Tocando em frente” (“ando devagar/porque já tive pressa...”) —, “Araguaia”, neste início, prescindiu da urgência em explicar de cara quem é cada personagem.




Até porque Lima Duarte roubou para si o primeiro capítulo, como o latifundiário Max Martinez. Não que Júlia Lemmertz (Amélia) também não tenha brilhado, assim como Regina Duarte (Antoninha), Murilo Rosa (na foto como Solano), Laura Cardoso (Mariquita), Yunes Chami (Mamede), e Otávio Augusto (Padre Emílio). Mas é que Lima Duarte parece ter um personagem à sua altura, um homem sanguíneo e cheio de contradições. Aposta infalível. Neste início, a escolha de Milena Toscano para viver a mocinha deixou dúvidas. É preciso acompanhar para conferir se ela vai conseguir dar à sua personagem o peso necessário a uma protagonista. Cleo Pires também ainda não mostrou a força de sua vilã.




Seria injusto falar de “Araguaia” mencionando apenas as belezas naturais. O trabalho de cenografia, maravilhoso, (de Juliana Carneiro e Mário Monteiro) merece todos os elogios. O que se viu ali foi bom gosto aliado a uma alentada pesquisa, uma marca também do diretor Marcos Schechtman, que já mostrou (em “Caminho das Índias” e “América”) que sabe comandar uma empreitada gigantesca cuidando de cada detalhe. A novela tem tudo para agradar na faixa das 18h.

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